Dia 26 de junho o Projeto Taramandahy – Fase III realizou mais uma ação de disseminação de informações técnicas e científicas com o Seminário sobre “Desastres Hidrológicos na Bacia do Rio Tramandaí: causas, ações preventivas e estratégias integradas para a gestão do risco”. Tendo como fio condutor a gestão integrada dos recursos hídricos na bacia do Tramandaí, os diálogos giraram em torno da integração das políticas públicas nacionais, regionais e locais de gestão ambiental e de prevenção de desastres hidrológicos. A UFRGS Litoral Norte foi parceira na promoção do Seminário e sediou o evento no auditório do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos da Universidade (CECLIMAR).

O circuito de palestras foi iniciado pelo Prof. Dr. Ney Fett Júnior, do Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas Regionais e Desenvolvimento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), apresentando a “História Geológica Recente da Planície de Inundação do Rio Maquin” e sobre como as perspectivas extraídas dos estudos sobre o período quaternário (de cerca 2.6 milhões de anos atrás) contribuem para o entendimento dos desastres hidrológicos, a partir de uma sequência de eventos paleoambientais ocorridos na planície de inundação do rio Maquiné durante os últimos milhares de anos. Entre os resultados, o professor observou que a dimensão histórica dos desastres hidrológicos comumente é pouco investigada, sendo em geral análises que se restringem a registros de dez anos ou cem anos por estações pluviométricas e fluviométricas. De acordo com a pesquisa, se subestimam também as ocorrências espaciais dos desastres hidrológicos, não tendo sido feito mapeamento na região.

Seguindo com as explanações, o Prof. Dr. Masato Kobiyama, junto ao Grupo de Pesquisa em Desastres Naturais, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, com estudos do Projeto de Extensão “Aprender Hidrologia para prevenção de desastres naturais” falou sobre a ‘Aplicação da Hidrologia na Gestão de Riscos e de Desastres Hidrológicos’. Após contextualizar sobre o conceito de desastre hidrológico, Masato apresentou o trabalho realizado pelo grupo de pesquisa, de instalação de estações pluviométricas em Maquiné. Também enfatizou a importância da gestão integrada de desastres naturais entre comunidades e instituições, sobre a necessidade de educação e conscientização das populações quanto à gestão de desastres hidrológicos, bem como em buscar atuar em parceria com o Comitê de Bacia, em benefício de uma ‘hidrosolidariedade’. Para concluir, o professor apresentou os benefícios das práticas de Interação entre socio-hidrologia, bacia-escola e ciência cidadã para apoiar o gerenciamento integrado de recursos hídricos e desastres naturais.

O Prof. Dr. Roberto Verdum, do Departamento de Geografia e PPG em Geografia/IGEO/UFRGS, falou sobre ‘Desastres ambientais: a interface entre natureza e intervenções sociais’, identificando que os desastres hidrológicos ocorrem em maior frequência, por fatores naturais e antrópicos nas regiões de conluios e das planícies aluviais, locais de interferência humana, agrícola (conluios e planícies) e com espaços construídos (planícies), ainda que: “… em parte muitas unidades de paisagens (UP) mais intensamente degradadas no passado e no presente, pelas atividades agrícolas, se encontram em re-colonização pela vegetação secundária, podendo ser aí um espaço de recomposição vegetal em diferentes espaços”, observou.

À tarde, o coordenador do Projeto Taramandahy – Fase III, Ecol. e Me. Dilton de Castro abordou a questão das alterações nas paisagens da bacia hidrográfica do Tramandaí e suas implicações para a gestão ambiental integrada, destacando os fatores antrópicos como principais condicionantes para as alterações da paisagem da bacia, que impactam de forma negativa os seus recursos naturais. Também apresentou o trabalho realizado pelo Projeto para gestão dos recursos hídricos da bacia do Tramandaí, junto ao Comitê Tramandaí e os dados sobre a água produzida a partir do trabalho de restauração ecológica de 25 hectares em recuperação, de mata ciliar e implantação de agroflorestas que o Taramandahy vem conduzindo desde 2010: considerando os últimos cinco anos, foram produzidos mais de um milhão de metros cúbicos de água (1.062.500 m3).

A mesa foi composta pelos palestrantes, representantes do setor de hidrologia da Sala Situação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA-RS), Engenheiros Ambientais Marcela Nectoux e Lucas Giacomelli e pelo Engenheiro Civil Diego Polacchini Carrillo, chefe da nova Divisão de Meteorologia, Mudanças Climáticas e Eventos Críticos da Secretaria Estadual; pela Professora Marlise Dal Forno, coordenadora da COMGRAD Desenvolvimento Regional da UFRGS (Campo Litoral) e pelo presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Tramandaí, João Vargas. Ampliados os debates com os participantes, resultou em um levantamento de possibilidades de atuação em rede, articulação e cooperação entre os setores presentes e a sociedade, contribuindo assim para o desenvolvimento das intersetorialidades no processo de gestão dos desastres e dos riscos associados a eventos hidrológicos, diretriz prevista na política nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC) e sua interface com a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH).